Bolsonaro faz postagem sobre golden shower, termo usado para definir relações sexuais envolvendo o ato de urinar no(a) parceiro(a). — Foto: Reprodução

 

“Golden shower” significa “ducha dourada” (em tradução literal). É um termo em inglês usado para definir relações sexuais envolvendo o ato de urinar no(a) parceiro(a).

Bolsonaro tem quase 3,5 milhões de seguidores no Twitter e usa a plataforma para anunciar iniciativas do governo e se comunicar com a população. O post do presidente com o vídeo teve mais de 8 mil retuítes, mais de 46 mil curtidas e 39 mil comentários até as 12h de quarta. Já a pergunta sobre golden shower teve 28 mil retuítes, mais de 54 mil curtidas e 18 mil comentários até o mesmo horário.

O assunto está entre os mais comentados na rede social internacionalmente. Entre as principais hashtags dos Trending Topics estão #ImpeachmentBolsonaro, #BolsonaroTemRazão, #goldenshowerpresidente, #VergonhaDessePresidente.

Ambas as postagens estão disponíveis a qualquer pessoa que acesse a conta dele, e causaram críticas tanto de opositores como de apoiadores do presidente.

  • Posts de Bolsonaro com pornografia e ‘golden shower’ repercutem na imprensa internacional

Usuários críticos às postagens destacaram que práticas como a que foi divulgada pelo presidente da República não ocorreram na absoluta maioria dos blocos de carnaval. Além disso, ao postar o vídeo em sua conta no Twitter, Bolsonaro levou a milhões de internautas temas que ele próprio sempre considerou impróprios para circulação em massa.

Em novembro de 2017, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro criticou a liberação do acesso de menores a uma exposição sobre sexualidade no Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Os canalhas não querem deixar as crianças em paz!”, escreveu sobre o assunto, também no Twitter.

Postagem de Bolsonaro contra performance no Museu de Arte Moderna que exibia um homem nu; presidente botou tarja. — Foto: Reprodução

 

Dois meses antes, ao encampar uma campanha contra uma exposição que contava com um homem nu, o presidente havia colocado uma tarja no vídeo que divulgou na mesma rede social – algo que ele não fez com o vídeo divulgado nesta terça.

Reações

Entre as pessoas que criticaram o presidente por divulgar o vídeo pornográfico, está o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL). Em uma série de postagens no Twitter na manhã desta quarta, o parlamentar destacou que chegou a fazer campanha por Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, mas que o tuíte do presidente “é incompatível com a postura de um presidente, ainda mais de direita.”

“Há muitas boas razões para criticar o carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador”, disse Kataguiri.

Também integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), o vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM) afirmou que o vídeo compartilhado pelo presidente é “indigno para o cargo”.

“Se um Primeiro-ministro inglês compartilhasse algo semelhante ao que Bolsonaro compartilhou no Twitter haveria um escândalo de proporções épicas. O partido conservador seria o primeiro a lançar ações de desagravo”, escreveu Holiday.

A economista Ana Carla Abrão, que foi secretária de Fazenda de Goiás, classificou o post como “absurdo”:

“Passei o carnaval no Rio. Fui em bloquinho, em blocão, na Sapucaí… tinha festa na praia, no centro, em clube. Triste chegar à quarta-feira de cinzas com um post absurdo do Presidente da República estragando a imagem de uma festa brasileira tão alegre e bonita.”

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) defendeu Bolsonaro e comparou a reação aos vídeos às críticas feitas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter divulgado vídeos antimuçulmanos.

“Em 2017, a turma politicamente correta atacou Donald Trump por simplesmente ter denunciado atrocidades de radicais islâmicos mostrando vídeos no twitter. Agora, guardadas as proporções, faz o mesmo contra Bolsonaro. A esquerda adora culpar o mensageiro, nunca o autor do crime”, escreveu a partalmentar.

Vídeo teve visualização restringida

O vídeo foi gravado no desfile do Blocu, em São Paulo, na segunda-feira (4). Na postagem de terça, o presidente escreveu:

“Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões (sic)”.

Imagem compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro no Twitter — Foto: Reprodução/Twitter

nicialmente, o vídeo era exibido automaticamente a quem acessasse a conta. Foi só algumas horas depois que a sequência passou a ter a visualização restrita: em vez do vídeo, a rede social exibe um alerta de que a mídia pode conter material sensível. A sequência, desde então, só é exibida caso o usuário clique em “ver”.

Palácio do Planalto não se manifestou

G1 procurou o Palácio do Planalto duas vezes nesta quarta, mas a Presidência não se manifestou até as 12h.

O Twitter foi questionado se a visualização foi restringida por Bolsonaro ou pela própria rede social. A empresa disse que não faz comentários sobre contas específicas, mas informou que tem regras sobre os conteúdos permitidos na plataforma e que “eventuais violações estão sujeitas a medidas cabíveis.”

As regras do Twitter impedem a publicação de conteúdo adulto em vídeos ao vivo, em imagens de capa ou de perfil. Nos demais casos – como vídeos gravados ou fotos –, as mídias devem ser marcadas com a opção “sensível”.

Quando isso não é feito, outros usuários podem denunciar. A rede social, então, inclui um alerta. Além disso, se o Twitter considerar o conteúdo inapropriado, o autor do post pode ser notificado, com exigência de remoção do conteúdo e até bloqueio a conta.

Por/G1

06/03/2019