A declaração foi feita após uma visita do governador ao hospital que está sendo erguido no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo; Doria anunciou repasse de R$50 milhões para hospitais de campanha na capital paulista.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a criticar na tarde desta sexta-feira (27) a política do presidente Jair Bolsonaro de abandonar o isolamento social como medida de combate ao coronavírus nos estados brasileiros.

“Quase metade da população do planeta está em casa. O mundo inteiro está em casa e o único certo é o presidente Jair Bolsonaro? Será essa é a racionalidade: só um certo e o mundo inteiro errado? Reflitam sobre isso. O Ministério da Saúde defende o isolamento. A campanha que o governo federal está lançando hoje nas emissoras de tv e nas redes sociais prega o contrário. Afinal temos um governo federal ou dois governos?”, questionou Doria.

A declaração foi feita após uma visita do governador ao hospital de campanha que está sendo erguido no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo.

Ao lado do prefeito da capital paulista, Bruno Covas, Doria afirmou que “a política que mata pessoas não salva a economia”, em alusão à campanha que da base de apoio do presidente lançou desta sexta-feira (27) para a volta das atividades econômicas no País, em meio a pandemia de coronavírus.

“Não é racional fazer política com a saúde e a vida das pessoas, especialmente as mais pobres e vulneráveis. É racional ter atitudes corretas e solidárias. Hoje, mais de 40 países estão em quarentena contra a pior crise de saúde do mundo dos últimos 100 anos. Será que em São Paulo vamos precisar enterrar 4.400 pessoas, como na Itália, para ter a certeza de que o convite para irmos às ruas, para fazerem o que não devem fazer é um erro? Antes que isso aconteça, você, que é cidadão e ama a vida, siga as orientações dos médicos e das autoridades que não têm medo de falar a verdade. Fique em casa”, disse.

Sobre o vídeo da campanha iniciada nesta sexta-feira (27) pelo governo federal para pedir a volta ao trabalho das pessoas durante o período de controle da pandemia do coronavírus, João Doria afirmou que os R$ 4,8 milhões gastos na campanha deveriam ter sido gastos em hospitais.

“É um dinheiro que deveria ser usado para comprar insumos hospitalares e ajudar o SUS [Sistema Único de Saúde](…) O Brasil precisa discutir ‘quem será o fiador das mortes’? Aquele que autorizou a campanha? Ou quem defende a campanha? O que foi às ruas quando a orientação já era se resguarde, se preserve? Aquele que identifica a pior crise da humanidade como uma gripezinha?”, questionou o governador.

Ameaças de morte

João Doria também comentou sobre as ameaças de morte que começou a receber nesta quinta-feira (26) através do celular e também das redes sociais. O governador atribuiu as mensagens ao chamado “gabinete do ódio”, em Brasília, comandado por membros do governo federal, e diz que seriam uma reação de apoiadores de Jair Bolsonaro após a discussão que teve com o presidente da República na terça-feira (24), durante reunião virtual com todos os governadores do Sudeste.

“Comecei a receber mensagens de whatsapp e telefonemas chulos com xingamentos de pessoas instruídas pelo gabinete do ódio de Brasília, que nos últimos 15 meses só tem produzido isso, erros e instabilidade na vida do país. Depois das 22h30, comecei a receber também ameaças mais duras de agressão, constrangimento e de invasão da minha casa. Pedi a investigação e já estamos monitorando todos os telefonemas e whatsapp que recebi. Quero dizer aos bolsominios e ameaçadores, agressores, como estes, que eu não tenho medo de cara feia, não tenho medo de bolsominios, de 01, de 02, de 03, de 04. Eu não tenho medo de Bolsonaro, sou brasileiro e fui educado para trabalhar pelo direito e pela Justiça”, declarou Doria.