Encarregado de obras aposentado, Elivaldo dos Reis Santos vinha sofrendo com fortes dores, mas não sabia a origem do seu mal-estar. Ele acreditava que sentia apenas os efeitos da pressão e do colesterol altos. Morador do bairro da Vila Luizão, em São Luís, a vida de Elivaldo só começou a mudar quando ele recebeu a visita de uma equipe da Força Estadual de Saúde do Maranhão (Fesma) que atua na região. Seu Elivaldo não sabia, mas ele vinha convivendo com uma diabetes descontrolada e perigosamente silenciosa.

A doença foi diagnosticada logo nas primeiras visitas da Fesma na casa do pedreiro, como conta Rômulo Béliche, enfermeiro da equipe. “A Força descobriu esse paciente e, avaliando, nós descobrimos que era um paciente diabético descontrolado”, relata.

Elivaldo é apenas mais um dos pacientes que são focos de atenção da Força Estadual de Saúde. A Fesma, criada em 2015 pelo governador Flávio Dino, acompanha, prescreve remédios e orienta gestantes, crianças menores de um ano, hipertensos, diabéticos descontrolados, além de hansenianos ou tuberculosos.

Criada há três anos, a Fesma já contabiliza mais de 850 mil atendimentos. Implantado para ampliar ações de atenção à saúde nos 30 municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Maranhão, o serviço foi ampliado para São Luís e Imperatriz desde março deste ano.

São equipes multi-habilitadas atuando nas duas maiores cidades do Maranhão. Cada equipe da Fesma é composta por médico, enfermeiro, fonoaudiólogo e assistente social. Algumas equipes contam ainda com dentistas e fisioterapeutas.

De porta em porta

O trabalho não é fácil. As equipes batem de porta em porta na busca ativa por possíveis pacientes em regiões desprovidas de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e desassistidas de estratégias de saúde da família. É um desafio diário, conta a médica Iracema Silveira, que lidera a equipe na Vila Luizão.

“Não é fácil porque isso não é algo corriqueiro, normal, uma equipe de saúde chegando em uma residência e se propondo a trabalhar naquela casa. De imediato, gera um choque, mas depois vem a confiança, vem a liberdade e a gente sente a alegria de retornar”, destaca a médica.

Atendimento continuado

Segundo Iracema, a partir do momento em que a equipe identifica uma pessoa dentro do foco de atuação da Fesma, esse paciente é assistido e, quando necessário, é orientado para serviços especializados. Entretanto, como esclarece a médica, o atendimento vai além da simples consulta ou prescrição de medicamentos. “É um atendimento continuado”, afirma.

Foto: Handson Chagas

“A gente tenta suprir na casa o que eles precisam. A gente marca retornos, a gente vê os atendimentos de especialidades, tenta suprir a medicação, deixa a receita, orienta como toma e prescreve exames. Às vezes, a gente corre atrás para que sejam agilizados, principalmente os de diagnóstico, como é o caso da hemoglobina aplicada para saber se um determinado paciente realmente está descompensado e há quanto tempo. Sempre temos os retornos e nesses retornos a gente avalia se o paciente está melhorando, além de avaliar a situação do restante da casa”, complementa.

Esse foi o procedimento adotado na casa de seu Elivaldo. A equipe da Força Estadual de Saúde inicialmente foi orientada para avaliar o estado da mãe de Maria Ozina Gomes, esposa de Elivaldo. Mas descobriram que tanto dona Maria Ozina quanto seu Elivaldo precisavam de assistência médica. Costureira, Maria Ozina descobriu com ajuda da Fesma que sofria de hipertensão.

Atualmente, a equipe da Fesma é recebida com alegria na casa deles, que oferecem bolos e doces de cortesia para a equipe. “Quando eles chegam, eu fico muito feliz. É uma outra família que nós temos”, diz Ozina.

Acompanhamento social

Elivaldo não sabia, mas tinha diabetes (Foto: Handson Chagas)

Ainda na Vila Luizão, a equipe visita a casa do técnico em eletrônica Odósimo Coelho Costa. Hipertenso, Odósimo vem sendo acompanhado há três semanas pela Fesma. Na última visita, foi a vez da nora do seu Odósimo, Caroline, receber orientações da equipe. Ela está grávida de três meses e foi orientada pela assistente social, Maria Helena de Freitas, a se cadastrar no programa Cheque Cesta Básica – Gestante, que destina recursos do ICMS para maranhenses de baixa renda.

Com o benefício, Caroline vai receber R$ 900 divididos em nove parcelas até o nascimento do bebê. Segundo a assistente social, erradicar a morte materno-infantil no Maranhão é uma das prioridades do governador Flávio Dino na área da saúde. O maior objetivo do programa é fazer que a mulher compareça no pré-natal, uma das condicionalidades do Cheque Cesta Básica – Gestante. A cada consulta de pré-natal, Caroline vai receber uma parcela de R$ 100.

“Eles [Fesma] foram os maiores anjos que apareceram aqui na minha casa. A partir do dia que eles chegaram aqui, muita coisa mudou. Mudou a nossa forma de se alimentar, a nossa forma de viver um com o outro”, agradece Odósimo.

 

Por/Ma.Gov
27/02/2019