Sandra Bronzina tinha apenas 13 anos quando foi intimidada por Cláudio Gastão da Rosa Filho, no dia em que seria proferida a sentença de seu estuprador.

Mariana Ferrer não foi a primeira mulher destratada pelo advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho durante um processo de julgamento de estupro. A empresária Sandra Bronzina contou sua história a Veja e garante que uma situação parecida aconteceu com ela.

Sandra tinha apenas 13 anos quando foi sequestrada e estuprada na saída da escola, em Balneário Camboriú. Ela diz que precisou implorar para ser libertada com vida. Meses depois, o agressor foi localizado.

No dia em que seria proferida a sentença, a mãe da vítima foi impedida de entrar com ela na audiência. O advogado de defesa do réu era Cláudio Gastão da Rosa Filho e, ao ver a menina, ele falou: “Eu já vi aqui que você foi estuprada pelo seu pai antes”.

De fato, Sandra havia denunciado o pai aos 11 anos. Abusada sexualmente por ele, ela só foi compreender a violência que havia sofrido após assistir a uma aula que falava sobre pedofilia.

“Como um homem estudado [o advogado] olha para uma criança e diz algo desse tipo? Eu fiquei revoltada. Disse a ele que não entendia o motivo da pergunta, porque o crime cometido pelo meu pai em nada diminuía a gravidade do crime que o cliente dele havia cometido. Ele já estava querendo fazer um drama psicológico em cima da história do meu pai”, diz Sandra. Ela conta que, naquela época, cerca de 16 anos atrás, Gastão da Rosa já era “o melhor advogado de Santa Catarina”.

Quando Sandra já tinha 25 anos, voltou a encontrar o advogado, dessa vez em uma festa de premiação. “Resolvi cumprimentá-lo. Na hora que cheguei, ele esticou a mão e se apresentou. Disse que o conhecia, pois ele havia defendido meu estuprador quando eu tinha 13 anos. Para minha surpresa, ele repetiu a mesma frase: ‘eu lembro de você, você já tinha sido estuprada pelo seu pai antes’. Fui ao banheiro chorar e entrei em pânico”.

A empresária conta que Gastão da Rosa chegou a se mostrar arrependido pela maneira como agiu com ela. “O Gastão me ligou depois, pediu desculpas e me disse que nunca mais defendeu um estuprador após o meu caso. Como se viu na audiência da Mari Ferrer, o que ele falou para mim não era verdade. É um sujeito sem escrúpulos e com zero sensibilidade”.

Na entrevista a Veja, Sandra também chamou a atenção para a maneira como as vítimas de estupro são tratadas pelo sistema quando decidem fazer a denúncia. Ela acredita que a comoção em torno do caso Mariana Ferrer deveria servir para o desenvolvimento de uma acolhida humanizada.

“Isso acontece com muitas Marianas. Após o estupro, meu exame de corpo delito foi feito por um homem. Na delegacia, a psicóloga me perguntou se eu tinha sentido um orgasmo. Depois, perguntou por que eu estava chorando quando soube que o meu hímen havia sido rompido. Eu era só uma criança de 13 anos. Pessoas como o Gastão só contribuem da pior forma para esse sistema. É preciso haver um protocolo que impeça o advogado de tratar as vítimas dessa forma em casos de estupro”.

Por/ Redação Claúdia